segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Adeus, Maolândia - I


A poucos dias de abandonar a China à sua própria sorte, retomo esta empreitada de jornalismo sério, decente, ético e respeitador do estado democrático de direito. As curtas férias em uma cidade no fim do mundo sob temperaturas perto de 30 graus negativos me fizeram muito bem. Agora, aguardo ansiosamente a sexta-feira para entrar, mais uma vez, na mãe de todas as férias: o desemprego.

Enquanto a pindaíba não vem, faço as malas e lembro de algumas coisas que farão falta quando me mandar. Também lembro das que não farão a menor falta, mesmo que eu me esforce para encarar o famoso “é a cultura de cada um”, o clichê favorito de 9 entre 10 viajantes.

A lista é maior, tanto pra um lado quanto pro outro, mas acho que esses itens já são um bom começo. Não incluo os amigos que fiz aqui, porque botar isso em uma lista junto com metrô e tofu com carne seria muito pouco:

O que fará falta:

  • A comida. Sabe aquele seu cardápio do China in Box? Então, nada a ver.

  • Ter um metrô que realmente cobre uma parte significativa da cidade (chupa, São Paulo)

  • Passar pela Praça Tian'anmen bêbado em um táxi às 5 da manhã e ver o povo se amontoando pro hasteamento da bandeira

  • Já mencionei a comida?

  • Velhinhos que não precisam de “permissão” pra fazer nada, têm um preparo físico invejável e são extremamente respeitados por todos

  • Jogos de futebol no estádio Fengtai, com direito a doses cavalares de cerveja e berros em chinês contra o juiz e o time adversário

  • A mudança no semblante de 99% dos locais depois que ouvem “sou brasileiro” - e as quase inevitáveis menções ao futebol e ao “Lo-nal-dô!” que seguem o sorriso

  • Bebida barata

  • Tá entediado? Vai passear em um observatório construído em 1421. Ou na Cidade Proibida. Ou no parque onde o imperador fazia os sacrifícios pela colheita. Chupa, Itaú Cultural.

  • Ir almoçar numa segunda-feira e ver quatro sujeitos enchendo a cara de baijiu na mesa ao lado

  • Encontrar os mesmos quatro sujeitos do restaurante entrando no mesmo prédio que você depois do almoço indo trabalhar

O que não fará falta:
  • Ouvir uma catarrada a cada 300 metros caminhados (ou menos)

  • Crianças que mijam e cagam em qualquer lugar. QUALQUER lugar

  • Essa sensação de que comer coisas industrializadas é uma roleta-russa constante

  • Essa sensação de que comer coisas não-industrializadas é uma roleta-russa constante

  • Estrangeiros que estão “suuuuper adaptados à China” nos seus prédios na área de estrangeiros, com comida estrangeira, todo mundo falando inglês e sem nunca terem entrado em um metrô sequer em suas vidas descoladas e antenadas

  • Estrangeiros que tentam viver como se fossem agricultores da época pré-revolução porque querem uma experiência da “China real”. Joãosinho Trinta tinha razão. Pobre gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual (ou intelectualóide, adiciono eu)

  • Tratar a idéia de pegar um táxi como se fosse o planejamento de uma guerra contra um poderoso inimigo que pode acabar com a sua vida em questão de segundos. E ele peida muito durante o combate todo

  • O metrô cheio das 6 da tarde, com aquela simpática ajuda dos guardinhas pra espremer o equivalente a metade da população da Bélgica em cada vagão do trem

  • Telefones celulares usados como “ghetto blasters” no metrô, na rua, na chuva, na fazenda ou num monastério de sapê. E sempre tocando a fina flor do lixo pop chinês e estrangeiro

  • Bebida barata e falsa

(Foto: Maquete de Beijing exposta no Museu do Planejamento Urbano - sim, ele existe)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Recesso branco e perverso

Ao melhor estilo parlamentar, este blog mal começou e já entra em recesso. Depois de gramar três semanas seguidas sem folga no trabalho - não falo qual é, nem sob tortura ou cachaça -, tiro folga e vou embora. Aos 9 leitores desta bodega, não se desesperem. O Prêmio Osso não é tão vagabundo assim e não faz parte da bancada ruralista, por isso, em breve voltamos à nossa programação normal.

Largo essa máquina do satanás desligada até a quarta-feira ou melhor oferta.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A falta que ele fará

Finalmente, alguém que trata a saída de George W. Bush do poder nos EUA como ela deve ser tratada: com total e absoluto sarro. Leiam a obra de arte de Oliver Burkeman no Guardian. Depois, vejam este vídeo. Ou, como diria Dubya, "now watch this drive":



Ironia em promoção

O Jerusalem Post dá link pra um lojinha de material de promoção israelense. O slogan é "Use Israel com Orgulho", sejá lá o que isso queira dizer. Uma das fileiras de camisetas à venda:

We're on our way home...

Aos que ficaram felizes com a minha vinda para o outro lado do mundo, aviso, agora oficialmente: essa mamata vai acabar. Passagem marcada, embarque no dia 23, terminal 2, Aeroporto Internacional de Pequim. Os que não comemoraram e não ficaram fazendo piadinhas repetidas de gosto duvidoso, fiquem com um pessoal novo de Liverpool que promete muito nas paradas de sucesso:



Em tempo: a segunda pessoa desse "two of us" pequinês já voltou, mas vocês entenderam o espírito da coisa. Não sejam malas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Grandes diálogos da história - I

William "Tony Gordo" Williams e Bart Simpson:

- Bart, é errado roubar um pão para alimentar sua família faminta?
- Não
- Então, supondo que você tenha uma família faminta grande, é errado roubar um caminhão de pão para alimentá-la?
- Não
- E se a sua família não gostar de pão e preferir cigarros?
- Acho que tudo bem
- E se, em vez de doá-los, você os vendesse a um preço que seria praticamente de graça? Isso seria um crime?
- Não mesmo!

Aos 10:20 de bola rolando neste vídeo aqui.

domingo, 4 de janeiro de 2009


Lista enviada pelo Vinícius, que não tem link porque ainda não tomou vergonha na cara e não criou um blog pra escrever besteiras a céu aberto.